Segunda-feira, Novembro 23, 2009

Love you like in poetry...

Regret

Regret from Robin Glass on Vimeo.



If I could turn back time.. Would I unlearn all the things I have learned? Would my first kiss be my last one? Would I un-cry all the things I regret?

Domingo, Novembro 22, 2009

Rainy day...

Quinta-feira, Novembro 19, 2009

Noites brancas


“Noites brancas” é, de todos os livros de Dostoievsky, o único que é romântico. Uma historia de amor contada em quatro noites de Primavera, em S. Petersburgo. Uma história de amor e solidão entre um sonhador - e não há pior condenação na vida do que ser-se sonhador, daí estarmos perante um herói proscrito - e Nástenka, menina que, na quase infância dos 15 anos, sem pai nem mãe, ficou presa por um alfinete ao avental da avó cega, castigo que a impedia de repetir as traquinices da idade. Esta novela do escritor russo - a última antes de ir para a prisão - é de uma beleza tal, que é difícil imaginar qualquer tipo de acção sobre ela. Ainda por cima, este sonhador faz tanto lembrar K. Maurício de "A morte do palhaço", de Raul Brandão (embora este escrito muito mais tarde, 105 anos depois), que essa associação faz elevar a fasquia até ao limite da mais absoluta intolerância diante de qualquer exercício sobre o texto.

E apesar disto, a companhia portuense Chão Concreto ousou arriscar a sua primeira produção com ele. E ousou despir o cenário de qualquer adereço que tivesse a obviamente estéril pretensão de nos remeter para aquela "noite divina", para aquele "céu estrelado e límpido" que no colocaria diante da pergunta: "será possivel viver sob este céu gente zangada e injusta?" Um banco velho de jardim é tudo. Mais ainda, ousou colocar dois actores (Ivo Bastos e Nuno Preto) em palco em vez de um actor e uma actriz. E assim, de repente, quando aquilo começa, quase pensámos: isto é um salto para o abismo, um arma apontada em direcção ao texto, não estamos preparados para ver este texto ser assassinado. Mas ainda não terminámos o pensamento e já nos demos conta da injustiça.

Aos primeiros minutos do monólogo do sonhador, o sonhador na pele do seu pior inimigo, porque nada é mais violento do que sonhar, somos engolidos por ele. Não há actores em palco, não há uma farsa, há aquela história inteira, fidelíssima, de um homem que de tanto sonhar se esqueceu de viver, aquele homem a dar a mão com força àquela rapariga que chorava à chuva, aquele homem a amá-la no silêncio, com medo de a ferir com tanta timidez, com qualquer palavra fora do lugar, aquele homem a despejar palavras em catadupa, umas atrás das outras, como se o mundo fosse acabar amanhã. Ou dali a quatro noites. E quando Nástenka aparece, ela ali no corpo de um homem, ela ali também a contar sua história, a sua dor pelo noivo que não voltou, ela cheia de trejeitos de menina, ela também cheia de sonhos, de vontade de esperar, , julgávamos que já não era possível uma rendição maior. Mas talvez fosse. Era. A felicidade, o amor, aquilo de que um já tinha desistido e o outro ainda esperava, estava ali. Como é possível não ver?

Há textos que, para sobreviverem, têm que ser tratados com pinças. É o caso. O diálogo (ou os dois monólogos) de Noites Brancas é um dos mais bonitos da história da literatura. E ali ele é tão bem tratado que quase dá vontade de, no fim, abraçar os actores. A peça estreou ontem. E vale mesmo a pena vê-la. "Um minuto inteiro de felicidade! Será pouco, mesmo que tenha de dar para toda a vida de um homem?..."


Encenação: Rodrigo Santos
Interpretação: Ivo Bastos e Nuno Preto
Desenho de Luz: Pedro Vieira de Carvalho
Cenografia: Ricardo Preto
Figurinos: Catarina Marques
Produção Executiva: Marta Lima
De18 a 29 de Novembro, às 21:45
Sala-Estúdio Latino , no
Teatro Sá da Bandeira
21.45 horas.
Até dia 29.

Quarta-feira, Novembro 18, 2009

Felt Mountain

[Olívia Bee]

A mesa do café é uma torre de veludo. Nome de revolução pacífica, veludo. Do lado de lá, à distância de uma incógnita, um cavalo com asas. E lá em cima, se lá pudesse chegar, uma noite inteira de estrelas, o inefável olhar do jogador. As mãos a arder como fósforos acabados de lamber o papel. O que poderia detê-los? O destino como um lugar prestes a acabar. O início como anúncio da despedida. A vida numa ampulheta, em contagem decrescente. Um duelo. Hércules mata o Leão de Nemeia; Hércules é derrotado pela Hidra de Lerna. Quem é quem? Ambos foragidos da vida, bestas de carga que se aliviam da trouxa num tabuleiro de xadrez. Gatos que só adormecem quando a voz do colo lhes fala baixinho ao ouvido. Por sussurros. E acordam em sobressalto, rabugentos, quando são devolvidos ao chão. Gatos de temperatura certa. Kasparov contra Karpov. Como se chama a uma coisa que existe, mas não tem peso? Meteorito, corpo celeste? Quem ofusca quem? Inúmeras viagens ao estrangeiro, nenhuma ao céu. Nenhum mapa para ajudar. A mesa do café é um monte de destroços a levitar. O tempo a chegar ao fim. Agora ou nunca. Violinos a gemer, aves de rapina a levantar voo, o chão a tremer, o mundo já podia a acabar. A história toda contada no tempo de um café. Com adoçante, por favor.

Terça-feira, Novembro 17, 2009

And we could be together till the end... If...

[Olivia Bee]

Se ela fosse uma estrada, ele segui-la-ia. Se fosse a noite, ele dormiria durante o dia. Mas se ela fosse o dia, então ele escolheria a noite para chorar. Se ela fosse uma árvore, ele abraçá-la-ia e poderia esculpir o nome dele no corpo dela. E ela não iria chorar porque as árvores não choram. Se ela fosse um homem, ainda assim, ele continuaria a amá-la. Se fosse uma bebida, ele embebedar-se-ia com ela. Se fosse atacada, por ela, ele mataria. Se o nome dela fosse Jack, ele por ela mudaria o nome para Jill. Se ela fosse um cavalo, ele não hesitaria em limpar-lhe o estábulo. Poderia montá-la ao amanhecer e ficar com ela até ao dia acabar. Falaria sobre ela nas canções dele, cantaria para ela à medida que caminhassem em direcção ao pôr-do-sol. Se ela fosse filha dele, ele teria dificuldade em deixá-la ir embora. Se fosse irmã dele, desejaria encontrá-la a dobrar. Se ela fosse um cão, ele alimentá-la-ia, dar-lhe-ia o melhor. Então, ela seria a sua mais fiel amiga, nunca teria de pensar duas vezes, e eles poderiam ficar juntos até ao fim. Se...

Divine Comedy, aqui.

When you least expect, your sky will trumble down


Some things are better left forgotten
all the weight of the world will crush your bones
in an ideal situation
this will all be over soon

and I will leave this world in pieces
I will leave it to the scarab and the crows
under seas and under soil
in a million years our bones will be your oil

one by one
it happens to us all
when you least expect
your sky will tumble down
we were surprised to find it was our time
to sink or swim

we’re out of our death
the sea of regrets and
I hate to say I told you so
a sea of excess and
this is everything I hoped it would be
Sea of regrets, i like trains, aqui.

Segunda-feira, Novembro 16, 2009

Edie Sedgwick, la femme fatale



No sétimo piso do Museu Andy Warhol, em Pittsburgh, segunda maior cidade da Pensilvânia, nos EUA, há um filme de Edie Sedgwick. Um filme hipnotizante, em loop, sem fim, sem som, um filme a preto e branco sem história. Ali está ela diante da câmara, a dançar, a serpentear, a rir, a fazer poses dengosas, infantis, poses exóticas, eróticas. E tudo nela é ardente, os olhos riscados de preto, os lábios cheios, carnudos, vermelhos, o cabelo platinado, de ouro, às vezes de prata, até o cigarro que aperta entre os dedos. Ela ali a querer ser actriz, ela ali a provar por que razão a maior exibição da vida dela foi ela própria. Chegámos ali, nós que não nos damos particularmente bem com a Pop Art e desdenhamos das latas Coca-Cola e das embalagens de sopa Campbell, chegámos ali e percebemos por que razão valeu a pena ali chegar. Edie Sedgwick é a cereja, sabe que é impossível tirar os olhos dali, dela, é arte em estado vivo. Com tudo o que a arte, e nem sempre a vida, tem de loucura, de excêntricidade e, ao mesmo tempo, de absoluta pureza. De vício. Ela, a musa de Warhol; a Leopard-Skin Pill-Box de Bob Dylan; a Femme Fatale que Lou Reed escreveu para os Velvet Underground em 66; ela, nome de bares, de poemas, de canções, de filmes, de perdições várias; ela, ícone de moda dos anos 70, de todos os anos que ainda estavam por vir; ela, a menina cool de Manhattan; ela, viciada em drogas e, apesar disso, tão cheia de liberdade. Ela, a menina-mulher da Califórnia que morreu de overdose aos 28 anos. Se fosse viva, Edie Sedgwick faria hoje 66 anos.

A menina do rio


Ela tem os olhos a brilhar. Vira-se para mim, do quase nada, e diz na sequência de qualquer coisa que não ouvi: "É como a gota de orvalho que pesa na folha da couve enterrada no chão. Não pesa sempre, mas às vezes pesa tanto, sabes?" Não sei, mas naquele momento começo a ouvi-la. Ela tem os olhos a brilhar (tanto!), o coração a chorar. "Nunca sabemos quando vai ser para sempre, não é?", pergunta-me. Não sabemos, é verdade. E ela queria que tivesse sido, precisava que tivesse sido já. Que tivesse sido para sempre aquele o amor que era o reflexo dela, que era ela em versão masculina, que encaixava nela como nenhum outro antes. "Quando isto falha, é difícil saber o que pode resultar, não é?" Não sei. Não sei se o amor é lotaria, construção ou acaso. Não sei se, para ser amor, tem de ser para sempre. Ela ainda não tem 30 anos. Tem os olhos a brilhar, e tem medo (tanto!). Diz-me que as pessoas se dividem entre as que são rio e as que são mar. "Podemos olhar para ambos de costas: o mar leva-nos; o rio não". Ela diz que é a menina do rio. Não sei porquê.

Prepare a list of what you need, before you sign away the deed, because it's not going to stop

Domingo, Novembro 15, 2009

Patrick Watson, Piano Magic e The Invisible

[Piano magic]
Patrick Watson, Piano Magic e The Invisible, concerto único, no Teatro Sá da Bandeira, no Porto, no dia 4 de Dezembro. Patrick Watson (http://www.myspace.com/patrickwatson), vencedor do Polar Muzic Prize, vem a Portugal pela segunda vez depois de um concerto memorável na Aula Magna em 2008. Os Piano Magic (http://www.myspace.com/lowbirthweight) vêm apresentar o seu mais recente disco “Ovations”, que conta com a participação especial de Brendy Perry (Dead Can Dance). Os britânicos The Invisible (http://www.myspace.com/theinvisiblethree), pela primeira vez em Portugal, vêm apresentar o seu disco de estreia, nomeado para o Mercury Prize de 2009.